Duro de Matar - Um Bom Dia para Morrer | Crítica
Quinto filme refaz as graças consagradas mas não entende o espírito da franquia
Duro de Matar - Um Bom Dia para Morrer
A Good Day to Die Hard
EUA , 2013 - 104 minutos
Ação
Direção:
John Moore
Roteiro:
Skip Woods
Elenco:
Bruce Willis, Jai Courtney, Yuliya Snigir, Sebastian Koch, Cole Hauser, Mary Elizabeth Winstead
Regular
EUA , 2013 - 104 minutos
Ação
Direção:
John Moore
Roteiro:
Skip Woods
Elenco:
Bruce Willis, Jai Courtney, Yuliya Snigir, Sebastian Koch, Cole Hauser, Mary Elizabeth Winstead
Regular
John McClane sempre foi um
anacronismo, o policial à moda antiga (workaholic e marido ausente)
que sabota planos modernos de vilões sofisticados porque recusa-se a
aceitar que ficou obsoleto. Se, como McClane, a franquia Duro de Matar tende à longevidade mesmo depois de três ótimos filmes, é porque sua graça está justamente nessa teimosia.
Lançado em 2007, Duro de Matar 4.0 é um filme que funciona. Embora fizesse concessões à geração 2000, como o ajudante geek vivido por Justin Long, era o estilo analógico de McClane, em contraste com essas modernidades, que continuava valendo. Já o quinto filme, Duro de Matar - Um Bom Dia para Morrer (A Good Day to Die Hard), não tem essa percepção. É uma continuação que reproduz as piadas internas consagradas (os bordões, o herói preso no trânsito) mas não entende o espírito da franquia.
Na trama, McClane (Bruce Willis, cada vez mais com cara de quem acabou de voltar das férias) viaja para a Rússia para tentar ajudar seu filho, Jack (Jai Courtney),
que está preso sob acusação de homicídio. Em Moscou, McClane
descobre que o rapaz trabalha para a CIA numa operação de tráfico de
armas nucleares. E Jack é bom no que faz. Se o quarto filme tentava
dialogar com a geração web, Duro de Matar 5 joga para o público pós-Bourne, pós-Black Ops.
E não há nada menos familiar a John
McClane do que esse mundo dos agentes supertreinados e superarmados. Ao
invés de desenvolver um contraponto entre o pai cabeça dura (cujo
maior talento sempre foi a resistência à dor) e o filho eficiente
(tão eficiente quanto os vilões sofisticados que McClane combatia), o
filme nivela os dois.
Esse nivelamento fica claro quando McClane
assume as rédeas da ação e resolve fazer as coisas do seu jeito,
no improviso (é risível como Jack simplesmente deixa de telefonar
para seus superior da CIA depois do meio do filme). Antigamente, esse
jeitinho envolvia isqueiros, silver tape e, com sorte, a
metralhadora subautomática que McClane tomava do bandido. Agora o
"improviso" se limita a gastar toda a infinita munição que sobrou na
mão do herói.
Transformaram o cara numa máquina de atirar, enfim.
O fato de Duro de Matar 5 adotar efeitos visuais estilizados à moda Zack Snyder no
clímax - em estranha dissonância com a destruição em estilo
documental do começo do filme - é o derradeiro malentendido. Ver e
acreditar em John McClane machucado era um dos principais apelos da
franquia, um fator de catarse. Aqui, isso se perde em meio à
computação gráfica, ao exibicionismo*. Nem fingir dor o elenco sabe
direito.
Se o cinema de ação virou um porta-malas
cheio de granadas e fuzis, que sequer é preciso arrombar, então
talvez esteja mesmo na hora de John McClane se aposentar.
*Há informações de que
trechos mais gráficos, que mostram sangue em tiros e socos, foram
suprimidos fora dos EUA (onde o filme pegou classificação 17 anos)
para permitir censura 12 anos em alguns países. No Reino Unido o
órgão que classifica os lançamentos reconhece essas mudanças.
Procurada, a 20th Century Fox do Brasil - onde a classificação
também é 12 anos - diz que não foi informada pela matriz americana de
quaisquer alterações.




