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domingo, 24 de fevereiro de 2013

Duro de Matar - Um Bom Dia para Morrer | Crítica

Quinto filme refaz as graças consagradas mas não entende o espírito da franquia



Duro de Matar - Um Bom Dia para Morrer

Duro de Matar - Um Bom Dia para Morrer

A Good Day to Die Hard
EUA , 2013 - 104 minutos
Ação

Direção:
John Moore

Roteiro:
Skip Woods

Elenco:
Bruce Willis, Jai Courtney, Yuliya Snigir, Sebastian Koch, Cole Hauser, Mary Elizabeth Winstead

Regular
duro de matar
duro de matar
John McClane sempre foi um anacronismo, o policial à moda antiga (workaholic e marido ausente) que sabota planos modernos de vilões sofisticados porque recusa-se a aceitar que ficou obsoleto. Se, como McClane, a franquia Duro de Matar tende à longevidade mesmo depois de três ótimos filmes, é porque sua graça está justamente nessa teimosia.
Lançado em 2007, Duro de Matar 4.0 é um filme que funciona. Embora fizesse concessões à geração 2000, como o ajudante geek vivido por Justin Long, era o estilo analógico de McClane, em contraste com essas modernidades, que continuava valendo. Já o quinto filme, Duro de Matar - Um Bom Dia para Morrer (A Good Day to Die Hard), não tem essa percepção. É uma continuação que reproduz as piadas internas consagradas (os bordões, o herói preso no trânsito) mas não entende o espírito da franquia.
Na trama, McClane (Bruce Willis, cada vez mais com cara de quem acabou de voltar das férias) viaja para a Rússia para tentar ajudar seu filho, Jack (Jai Courtney), que está preso sob acusação de homicídio. Em Moscou, McClane descobre que o rapaz trabalha para a CIA numa operação de tráfico de armas nucleares. E Jack é bom no que faz. Se o quarto filme tentava dialogar com a geração web, Duro de Matar 5 joga para o público pós-Bourne, pós-Black Ops.
E não há nada menos familiar a John McClane do que esse mundo dos agentes supertreinados e superarmados. Ao invés de desenvolver um contraponto entre o pai cabeça dura (cujo maior talento sempre foi a resistência à dor) e o filho eficiente (tão eficiente quanto os vilões sofisticados que McClane combatia), o filme nivela os dois.
Esse nivelamento fica claro quando McClane assume as rédeas da ação e resolve fazer as coisas do seu jeito, no improviso (é risível como Jack simplesmente deixa de telefonar para seus superior da CIA depois do meio do filme). Antigamente, esse jeitinho envolvia isqueiros, silver tape e, com sorte, a metralhadora subautomática que McClane tomava do bandido. Agora o "improviso" se limita a gastar toda a infinita munição que sobrou na mão do herói.
Transformaram o cara numa máquina de atirar, enfim.
O fato de Duro de Matar 5 adotar efeitos visuais estilizados à moda Zack Snyder no clímax - em estranha dissonância com a destruição em estilo documental do começo do filme - é o derradeiro malentendido. Ver e acreditar em John McClane machucado era um dos principais apelos da franquia, um fator de catarse. Aqui, isso se perde em meio à computação gráfica, ao exibicionismo*. Nem fingir dor o elenco sabe direito.
Se o cinema de ação virou um porta-malas cheio de granadas e fuzis, que sequer é preciso arrombar, então talvez esteja mesmo na hora de John McClane se aposentar.
*Há informações de que trechos mais gráficos, que mostram sangue em tiros e socos, foram suprimidos fora dos EUA (onde o filme pegou classificação 17 anos) para permitir censura 12 anos em alguns países. No Reino Unido o órgão que classifica os lançamentos reconhece essas mudanças. Procurada, a 20th Century Fox do Brasil - onde a classificação também é 12 anos - diz que não foi informada pela matriz americana de quaisquer alterações.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Sin City 2: A Dama Fatal tem novidades

Robert Rodriguez fala da atriz principal, comenta personagem de Joseph Gordon-Levitt e confirma o retorno de Bruce Willis



Sin City 2 poster
Joseph Gordon-Levitt
Joseph Gordon-Levitt
Bruce Willis como Hartigan
Bruce Willis como Hartigan
Sin City: A Dame To Kill For, a sequência de Sin City  (2005), já começou a ser filmada. Mas a progressão de cada segmento do filme é relativamente lenta, já que os capítulos aguardam que os atores tenham espaço nas agendas. Com isso, papéis centras do filme ainda não foram contratados, como explicou o diretor Robert Rodriguez em entrevista.
"Ainda não temos nossa Dama Fatal, Ava Lord. A personagem só será filmada dentro de algumas semanas e temos algumas atrizes em mente", revelou à MTV. "A única história que acabamos é a introdução. Essa está completamente pronta. As outras vamos encaixando aos poucos, conforme os atores ficam disponíveis".
O diretor explicou um pouco também sobre o personagem de Joseph Gordon-Levitt, "ele vive um jogador cheio de si que chega a Sin City para tentar vencer o maior vilão da cidade em seu próprio jogo". O nome da história em que ele aparece é "The Long Bad Night". O próprio Gordon-Levitt comentou brevemente seu interesse em Sin City em entrevista ao Deadline.  "Eu escolho meus projetos primeiro pelo diretor envolvido. Decidi fazer Sin City 2 porque adoro os filmes de Robert Rodriguez. E também porque o roteiro é simplesmente muito divertido".
Pra completar, Rodriguez confirmou o retorno de Bruce Willis como o policial Hartigan do primeiro filme.
O roteiro, que tem como base a HQ A Dama Fatal (A Dame do Kill For do título em inglês), foi escrito por Frank Miller e William Monahan (Os Infiltrados). A história que envolve Dwight é anterior a The Big Fat Kill (arco do primeiro filme).
Sin City: A Dame To Kill For está sendo rodado em 3D em Austin, no Texas, e estreia em 4 de outubro nos EUA. Josh Brolin assume o personagem Dwight, que foi de Clive Owen. Mickey Rourke, Jessica AlbaMichael MadsenJaime King retornam. Dennis Haysbert (Manute), Jamie Chung (Miho), Ray Liotta, Juno Temple, Jeremy Piven e Christopher Meloni também estão no elenco.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Monstros S.A. 3D

Monstros S.A.


14 de Dezembro de 2001


Monstros S.A.

Monstros S.A.

Monsters, Inc
EUA , 2001 - 92
Animação

Direção:
Pete Docter, David Silverman

Roteiro:
Andrew Stanton, Daniel Gerson

Elenco:
John Goodman, Billy Cristal, Steve Buscemi

Excelente
Monstros S.A.
Monstros S.A.
Monstros S.A.
O ano de 2001 foi inesquecível por inúmeros motivos para os Estúdios de Walt Disney. Justamente quando se comemora centenário do nascimento do seu criador, a Academia de Hollywood resolve oficializar um Oscar na categoria longa-metragem em animação (leia nota aqui). Assim, o presente para o gênio que reinventou a fantasia infantil viria em 2002, na forma minúscula de um troféu dourado, sonho almejado desde a década de 40, quando as trilhas-sonoras de clássicos como Fantasia (1940) já enfeitiçavam a todos. Mas a temporada se mostrou irônica com a Disney. Depois de sessenta anos de hegemonia e revolução, a Disney tem grandes chances de perder a chance de receber o seu primeiro Oscar oficial fora do setor musical.
Diante da criatividade e da comicidade cortante de Shrek (2001), a certeza da premiação ficou abalada. Produzido pela Dreamworks, empresa de Steven Spielberg e Jeffrey Katzenberg, um ex-diretor da Disney, a aventura do ogro e seu companheiro burro superou Atlantis (2001) por larga margem nas bilheterias e no gosto popular. Se este fracasso não bastasse, Pearl Harbor, o maior investimento do estúdio não foi tão bem acolhido como se esperava.
Num cenário como esse, o lançamento de Monstros S.A. (Monsters, Inc, 2001) não só afasta o favoritismo absoluto de Shrek, como livra a Disney de um vexame histórico. Produzido em parceria com a Pixar, empresa de animação computadorizada responsável por Toy Story (1995) e Vida de Inseto (A Bugs Life, 1998), o filme alcançou a melhor marca da Disney em bilheterias no seu fim de semana de estréia nos EUA, com US$ 67 milhões. Ao contrário de Atlantis, uma aventura fantasiosa criada com técnicas tradicionais, Monstros S.A. desafia Shrek em seu próprio terreno: a artificialidade dos computadores misturada com altas doses de apelo emotivo e humor inteligente.
Campeão de sustos
A trama parte de uma premissa do imaginário infantil, os bichos-papões que se alojam em armários e atacam durante a noite. Em Monstrópolis, a crise energética é uma realidade, assim como o perigo de um apagão. Encarregada de salvar a cidade do caos, a empresa Monstros S.A.  tira energia de uma fonte inusitada: o grito dos humanos. Através de uma passagem entre os universos dos homens e dos monstros, eles invadem os quartos das crianças do mundo todo - e arrancam, com um grande susto, o berro dos pimpolhos. Nesta realidade paralela, a atividade movimenta até uma certa competição. Sulley (voz de John Goodman na versão original), um bicho azul e peludo, é o grande campeão dos sustos e ídolo da cidade.
Mas nem tudo é fácil na vida de um monstro. Apesar dos dentes afiados e das garras gigantescas, um grande temor se faz presente. O simples toque de uma criança causa a morte instantânea, acreditam os bichos. Um mero pé de meia que, inadvertidamente, entre do lado dos monstros é motivo de interdição sanitária. Apesar do rigor das regras na Monstros S.A., porém, um acidente acontece. Uma garotinha, com os seus três anos de vida, invade Monstrópolis e instala o pânico. Claro, cabe ao herói Sulley resolver a questão.